A CANA DE AÇÚCAR
A cana-de-açúcar, planta herbácea muito cultivada em países tropicais e subtropicais, é um recurso agrícola natural e renovável, fonte de energia para os seres humanos desde o início de seu cultivo.
Dentre suas produções estão os diferentes açúcares - branco, refinado, cristal, demerara, mascavo - além do biocombustível (etanol), da cachaça e dos derivados principais da indústria de açúcar, que são o bagaço e o melaço.
Existem diversas variedades cultivadas de cana-de-açúcar, que compõe-se, essencialmente, de duas partes: uma subterrânea, formada pelos rizomas e pelas raízes e outra aérea constituída pelo colmo, pelas folhas e pelas flores.
Do ponto de vista estrutural, o colmo da cana-de-açúcar é composto, em média, de 74,5% de água, 25% de matéria orgânica e 0,5% de matéria mineral.
O colmo constitui um sistema de duas fases: sólida e líquida.
A fase sólida é um complexo composto de celulose, lignina e pentosanas, conhecida como fibra, que corresponde a cerca de 8% à 14% do colmo.
A fase líquida, designada caldo, é uma solução cuja composição depende da cana que lhe deu origem, sendo constituído basicamente de água (80%) e de sólidos solúveis (20%). Os sólidos solúveis (°Brix) podem ser caracterizados como açúcares e não-açúcares orgânicos e inorgânicos.
Do ponto de vista nutricional, os açúcares são representados pela sacarose (que corresponde em quantidade a aproximadamente 90%), glicose e frutose, sendo a sacarose o componente mais importante, estando o seu teor no caldo em média de 19 e 21%.
Os demais açúcares do caldo aparecem em proporções variáveis, dependendo do estágio de maturação da cana que lhe deu origem, sendo em média de 0,4 a 0,1%, respectivamente para glicose e frutose.
Os não-açúcares orgânicos são representados por uma série de substâncias como: matéria nitrogenada (proteínas, aminoácidos, amidas, etc.), gorduras e ceras; pectinas; ácidos livres e combinados (málico, succínico, aconítico, oxálico, fumárico, etc.), matérias corantes (clorofila, antocianina e sacaretina) além de vitaminas do complexo B e C.
Os não-açúcares inorgânicos, representados pelas cinzas, têm como componentes principais: sílica, potássio, fósforo, cálcio, sódio, magnésio, enxofre, ferro, alumínio, cloro, ferro entre outros.
O colmo é constituído por numerosos nós bem marcados e entrenós distintos, sendo este último conhecido também como internódios, gomos ou meritalos; são espessos e quase sempre fistulosos (com canais de ducto).
O colmo apresenta as funções de suportar as folhas e as partes aéreas da planta, conduzir água e os nutrientes do solo para as folhas onde os açúcares da planta são sintetizados, transportar esses carboidratos para as outras partes da planta e armazenar sacarose e outras substâncias.
As flores, muito pequenas, formam espigas florais, agrupadas em panículas (forma de espigas) e rodeadas por longas fibras sedosas, congregando-se em enormes pendões terminais, de coloração cinzento-prateado.
Botanicamente, a cana-de-açúcar pertence à divisão Embryophita, subdivisão Angiospermae, classe Monocotyledonae, ordem Glumiflorae, família Poaceae, tribo Andropogonae, subtribo Saccharae, gênero Saccharum, espécie Saccharum spp.
A subtribo e o gene são derivados do Sânscrito "sarkara = açúcar branco", uma lembrança que a planta alcançou na região Mediterrânea a partir da Índia.
A cana-de-açúcar é cultivada, principalmente, em clima tropical onde se alternam as estações secas e úmidas. Sua floração, em geral, começa no outono e a colheita se dá na estação seca, durante um período de 3 a 6 meses.
A cana-de-açúcar, cujo potencial é variado e complexo, ainda pode ser muito explorado, mas sua utilização já é destaque em diversas áreas. Na cozinha, desdobra-se em utilidades; na indústria, colabora para a produção de alimentos mais saudáveis, de fácil conservação. Dela vem o álcool combustível, a energia elétrica. Também pode produzir papel e velas (com a cera-de-cana ou cerosina), plásticos, produtos químicos.

