MORRETES

 

Morretes, na região litorânea do estado do Paraná é um município brasileiro fundado em 1733 e conta com aproximadamente 15.934 habitantes. Localizada à 8,48 metros acima do nível do mar, é uma cidade com clima agradável, cuja temperatura média anual é de 25ºC, com mínima de 13ºC e máxima de 37ºC.

Quanto ao povoamento da região litorânea paranaense, historicamente, há oito mil anos atrás, a região de Paranaguá, litoral do estado do Paraná, já estava povoada por grupos pré-históricos, pescadores e coletores de moluscos. Pelo litoral chegavam povos ceramistas e agricultores, entre eles os ancestrais dos índios caingáng, guaranis e carijós.

A partir de 1500, já haviam portugueses começando a chegar na Ilha da Cotinga, na baía de Paranaguá.

Entre 1586 e 1590 foi aberto o Caminho do Arraial, primeira ligação entre o litoral e o planalto; via esta que hoje tem na Estrada da Anhaia, sua história remanescente. A Estrada da Anhaia, que começa a partir da ponte do rio do Pinto (primeiro Porto Real de Morretes) é onde está localizada a Casa Poletto.

Por volta de volta de 1646 iniciou-se o processo de exploração da região de Morretes, devido às descobertas de ouro nos rios. Chegavam os primeiros mineradores e aventureiros vindos de São Paulo, por Cananéia.

No ano de 1721 o Ouvidor Rafael Pires Pardinho determinou à Câmara Municipal de Paranaguá que realizasse a demarcação de 300 braças em quadra no local onde seria a futura povoação de Morretes. O processo foi concluído em 31 de outubro de 1733, data da fundação de Morretes.

Entre 1725 e 1730 surgiu o primeiro morador de Morretes: O senhor João de Almeida, que tinha autorização para cobrar impostos e fazer o comércio no rio que hoje é conhecido como Nundiaquara. Em 1851 o Cronista e Historiador Antônio Vieira dos Santos citou João de Almeida no seu relato Memória Histórica, Cronológica, Topográfica e Descritiva da Vila de Morretes, e do Porto Real ou de Cima:

"João de Almeida, Chéffe da família, fes sua casa de morada no alto da Igreja e próximo a ponte do Ribeirão outra morada chamada vulgarmente a casa da farinha, na qual tinha rôda e prénsa de a confecionar, e hum pequeno engênho de moêr Canna." (p.35)

Em meados do século XVIII mudaram-se para o local o capitão Antônio Rodrigues de Carvalho e sua mulher, Maria Gomes Setúbal, contribuindo com a construção de uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Porto e Menino Deus dos Três Morretes, benta em 1769. O local de construção foi o ponto mais alto deste "arraial", onde anteriormente João de Almeida havia construído a sua casa. Nesta época ele se dedicava, entre outras atividades, a fabricação de cachaça que, já naquela época, exportava para Portugal.

Em 1º de março de 1841, pela Lei Provincial nº 16, a região emancipou-se de Antonina, tornando-se município solenemente em 5 de julho de 1841.

Em 24 de maio de 1869, por lei provincial, recebeu os foros de Cidade, passando a denominar-se Nhundiaquara. Nhundia" significa peixe, jundia e "Quara", empoçado, buraco. Mesmo nome do rio que corta a cidade. Inicialmente o rio Nhundiaquara era denominado Cubatão, e foi a primeira via natural de penetração no Paraná, fazendo a ligação entre o litoral e o planalto. Era considerado um dos mais ricos em ouro na região, o que contribuiu para o desenvolvimento econômico de Morretes.

Mais tarde, graças ao relevo geográfico, a cidade passou a ser denominada Porto dos Três Morretes. Pouco tempo depois, em 7 de abril de 1870, pela Lei nº 227, voltou a denominar-se Morretes.

Em Morretes foi contruído o primeiro teatro do Paraná, no ano de 1865, em homenagem à coroação de D. Pedro II. Em 1930 o teatro foi destruído num incêndio. Em 1913 foi inaugurada a Ponte Velha, importante ponto turístico da cidade.

A secular Estrada da Graciosa, que foi finalizada provavelmente em 1873, originada a partir de uma trilha de índios, passou por um processo de urbanização liderado por Airton Cornelsen, em 1950, viabilizando a vocação turística da cidade de Morretes.

Atualmente, a Estrada da Graciosa, que começa a 37km de Curitiba (BR-116 em direção a São Paulo), oferece uma ampla infra-estrutura com parques, churrasqueiras, quiosques e rios.

A gastronomia, cartão postal da cidade, principalmente pelo seu prato típico, o famoso barreado, tem restaurantes para todos os gostos, que vão do churrasco aos mais variados frutos do mar, além de iguarias como balas de banana, rapadura e melado.

Além disso, Morretes é o lar da famosa “cachaça morreteana”. A produção de cana-de-açúcar iniciou-se no município de Morretes no século XVIII com a construção do Engenho Central de Morretes, durante o auge da cultura da cana-de-açúcar no período colonial. Produzida até hoje e com uma qualidade sem igual, a cana-de-açúcar no município é muito utilizada para extração do caldo da cana também conhecido como garapa e principalmente para a produção da cachaça, em alambiques, bebida típica do município.

No artesanato, além de variados trabalhos com bambus, taquara, cascas de palmeira, o visitante também encontra o melhor dos trabalhos feitos com bordados, crochê e tricô.

Morretes ainda apresenta diversas opções de ecoturismo e construções históricas que atraem centenas de visitantes à cidade todos os finais de semana. Cerca de 62.8% dos 662.700 metros quadrados de área da cidade são cobertos pela Mata Atlântica ainda preservada, através de dois parques e duas Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Para conferir mais aspectos da cultura Morreteana, acesse o site da Prefeitura Municipal de Morretes.

Para chegar até Morretes existem 3 opções: a BR 277, que corta o estado do Paraná ligando o interior ao litoral; a Estrada da Graciosa, bela estrada com mirantes com vista para a Serra do Mar; e a Estrada de Ferro Curitiba - Morretes - Paranaguá, considerada uma obra prima da engenharia.